Associação Brasileira de Veganismo

Marc Ching

ANIMAL HOPE AND WELLNESS FOUNDATION (AHWF)

A Animal Hope and Wellness Foundation foi criada em 2011 pelo nutricionista americano Marc Ching. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos dedicada ao resgate de animais vítimas de maus-tratos, oferecendo reabilitação física e emocional e trabalhando para encontrar lares seguros e responsáveis para adoção.

Com sede em Los Angeles, a Fundação também mantém a plataforma Report Animal Abuse, por meio da qual cidadãos podem denunciar casos de abuso animal. Muitas dessas denúncias são investigadas pessoalmente por Marc Ching e sua equipe.

Marc Ching com cão resgatado do festival de Yulin, levando consciência aos jovens sobre a importância do bem-estar animal

FESTIVAL YULIN DOG MEAT - CHINA

Todos os anos, entre os meses de junho e julho, ocorre na China o chamado Festival da Carne de Cachorro de Yulin. Ao tomar conhecimento da prática, que envolve tortura e abate de cães para consumo, Marc Ching decidiu agir.

Em missões de alto risco, Ching se passou por comprador estrangeiro para acessar matadouros e fazendas clandestinas, documentando abusos e participando diretamente de operações de resgate, muitas vezes sob ameaças físicas.

Segundo estimativas da Humane Society, cerca de 30 milhões de cães são mortos anualmente na Ásia para consumo, sendo aproximadamente 10 milhões relacionados ao festival de Yulin.

ESPERANÇA E LUZ NO FIM DO TÚNEL

Ao final do festival de Yulin de 2017, Marc Ching e sua equipe conseguiram resgatar 858 cães, que foram levados aos Estados Unidos para tratamento, adoção e uma nova chance de vida.

Nesse mesmo ano, a Fundação adquiriu uma fazenda/matadouro de cães em Busan, na Coreia do Sul, com mais de 20 anos de atividade. Após meses de negociação, o local foi definitivamente fechado. Todos os cães e cabras foram resgatados, e a estrutura foi demolida — garantindo que nenhum animal voltasse a sofrer naquele espaço.

Outras fazendas de cães e gatos também foram adquiridas sob acordos que impedem seus antigos proprietários de retomar o comércio de animais.

Essas ações só são possíveis graças a doações financeiras, medicamentos, trabalho voluntário, apoio veterinário e colaboração internacional.

Na cidade de Seoul, Coréia do Sul, moradores protestam contra o comércio de carne de cães e gatos

COMÉRCIO ILEGAL E MUDANÇAS INSTITUCIONAIS

Embora o consumo de carne de cães e gatos seja legal na Coreia, na China e em alguns países vizinhos, abusos, irregularidades e práticas ilegais ocorrem com frequência, expondo a fragilidade da fiscalização e o sofrimento imposto aos animais.

No final de 2017, Marc Ching visitou dois matadouros e três fazendas de cães em Busan, na Coreia do Sul, acompanhado por dois representantes do governo local. Durante as visitas, explicou o trabalho que vem desenvolvendo para combater essa prática e promover mudanças estruturais.

Segundo um dos representantes governamentais:

“Isso me abriu os olhos. Agora entendo por que as leis precisam ser mudadas e reconheço o valor do seu trabalho.”

Até então, esse agente público nunca havia visitado uma fazenda ou matadouro. A experiência o tornou testemunha direta das condições de brutalidade e violência às quais os animais são submetidos.

Uma das fazendas inspecionadas era ilegal e não possuía licença de funcionamento. Diante da situação, Marc Ching resgatou todos os cães e coelhos que seriam abatidos. O representante do governo informou que os responsáveis seriam multados e que as instalações seriam definitivamente fechadas.

Esse episódio evidencia a importância da fiscalização, da transparência e da pressão social para que leis sejam efetivamente aplicadas e vidas sejam protegidas.

CONSCIENTIZAÇÃO E REDES SOCIAIS

A Fundação utiliza intensamente as redes sociais e o apoio de artistas, músicos e atores para expor a realidade do comércio de carne de cães e gatos e pressionar governos por mudanças legais.

Shows beneficentes, campanhas públicas e mobilização internacional têm sido fundamentais para ampliar a conscientização e financiar resgates.

Países onde o comércio de cães e gatos para consumo ainda ocorre incluem: China, Coreia, Indonésia, Laos, Camboja, Myanmar, Filipinas, Tailândia e Vietnã. Mesmo onde é legal, grande parte da atividade ocorre de forma clandestina.

VOCÊ PODE AJUDAR!

Mesmo à distância, é possível contribuir:

  • Doações financeiras para resgate, tratamento e proteção dos animais

  • Doação de milhas aéreas para o transporte de animais resgatados

  • Apoio voluntário e divulgação do trabalho da Fundação

👉 Clique aqui para acessar a página de doações e apoiar essa causa.

UMA MENSAGEM DE MARC

(…) Na província de Tongzhou da China, arrisquei-me no matadouro de uma pequena comunidade. Haviam cães, gatos, coelhos e medo que transpiravam das paredes com tanta intensidade, que o próprio medo parecia ter medo de enfrentar a morte e morrer sozinho.

Quando minha alma perfurou esse buraco escuro, meu coração sangrou através dos meus olhos, se derrubando no chão abaixo de mim. Não consigo sequer colocar em palavras o que vi. Eu nem consigo usar a tinta na minha caneta para descrever criaturas vivas acorrentadas a mesas com seus órgãos expostos.

Gritando. Alguns sem pés.

Alguns sem olhos.

Ainda vivos… e gritando.

Perguntei, por que não matá-los primeiro? Ele disse que é a cultura, e que eles estão fazendo isso da mesma forma há anos.

A escravidão costumava ser cultura. Mas quando o coração humano cresceu em tamanho e grandeza, a história tornou-se passado. A história tornou-se uma ponte que nos ensinou não o que fazer, mas como fazer melhor.

Eu disse a esse homem, a maior coisa do mundo não se encontra na morte. Encontra-se na respiração da vida para os outros. Só há sangue na morte. Somente destruição. Sem amor. Sem esperança.

Seu rosto era um olhar vazio. Meu presente, um poema para os olhos que não podiam compreender, ou talvez não se importasse.

Resgatei todos os cães que pude, os fortes o suficiente para sobreviver ao transporte. Salvei três gatos e libertei um par de coelhos pelo rio. Os torturados que morreram lá, mordi meus lábios e derramei lágrimas com esperança de que nas trevas – eles soubessem que não estavam sozinhos.

O maior presente na vida não é a morte – é a respiração da vida naqueles que não podem respirar por si mesmos. Em todo o meu desejo de que quem eu sou fosse mais forte. O maior presente da vida é dar. (…)

FONTES

  • Animal Hope and Wellness Foundation
  • The Animal Hope & Wellness Foundation – Facebook

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