Associação Brasileira de Veganismo

Orgânicos

MITOS DOS ORGÂNICOS E "FREE-RANGE" (SEM GAIOLA)

Não se deixe enganar por embalagens de carne, ovos e laticínios que exibem imagens de animais felizes em fazendas idílicas, acompanhadas de rótulos como “orgânico” ou “free-range”. Esses selos, por si só, não garantem bem-estar animal nem eliminam a exploração.

Na prática, animais criados em sistemas orgânicos ou “sem gaiola” frequentemente passam grande parte do tempo confinados em galpões superlotados, com lama, fezes e condições semelhantes às das fazendas convencionais. O acesso ao ambiente externo, quando existe, pode ser limitado, irregular ou impraticável para a maioria dos animais.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o United States Department of Agriculture (USDA) exige que animais rotulados como “free-range” tenham algum acesso ao ar livre, mas não define parâmetros claros sobre duração, frequência ou tamanho dessas áreas. Essa falta de critérios objetivos permite interpretações amplas e rotulagens que não refletem a realidade do manejo.

Rótulos podem sugerir melhorias pontuais, mas não mudam o destino final dos animais nem eliminam práticas de confinamento, separação, manipulação e abate. Informar-se além da embalagem é essencial para escolhas verdadeiramente conscientes.

CARNE ORGÂNICA

A designação “orgânica” não elimina a exploração animal. Em fazendas leiteiras orgânicas, vacas podem ser mantidas em galpões superlotados, muitas vezes em contato constante com seus próprios resíduos, em condições semelhantes às observadas na produção convencional.

Esses animais continuam sendo inseminados artificialmente ano após ano, já que a produção de leite depende da gestação. Os bezerros são separados das mães logo após o nascimento, uma prática que causa estresse intenso e sofrimento a ambos, independentemente do sistema de certificação.

Outro ponto crítico envolve o manejo sanitário. Em sistemas orgânicos, o uso de antibióticos é severamente restringido. Quando um animal orgânico recebe medicação, ele perde o status de “orgânico”, o que pode levar a atrasos ou recusas no tratamento, mesmo em casos de dor, infecção uterina ou outras doenças frequentes na indústria leiteira.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a certificação orgânica do United States Department of Agriculture (USDA) estabelece critérios sobre alimentação e uso de insumos, mas não impede práticas como confinamento, inseminação artificial, separação de filhotes e abate. Assim, o rótulo orgânico não garante bem-estar animal, nem altera o destino final desses animais.

Entender os limites da rotulagem é essencial para escolhas conscientes: orgânico não significa livre de sofrimento.

 

MÉTODOS CRUÉIS EM SISTEMAS ORGÂNICOS E "FREE RANGE"

Sistemas rotulados como “orgânicos” ou “free-range” não eliminam práticas de sofrimento. Em muitos casos, os mesmos procedimentos dolorosos utilizados na produção convencional continuam a ser aplicados, frequentemente sem anestesia ou analgesia adequada.

Entre essas práticas estão:

  • Gado: corte de chifres (descornagem), castração e marcação a ferro quente, procedimentos realizados para controle e manejo, mas que causam dor intensa e estresse.

  • Porcos: corte de caudas, entalhe de orelhas para identificação e, em alguns sistemas, anéis colocados à força no focinho para impedir o comportamento natural de fuçar o solo.

  • Galinhas poedeiras: debicagem, na qual de um terço a dois terços do bico é removido. O bico é altamente sensível; o procedimento pode provocar dor aguda imediata e dor crônica.

Ao final da vida produtiva, esses animais são transportados por longas distâncias, muitas vezes sem acesso a água, alimento ou descanso, enfrentando extremos climáticos. O destino costuma ser os mesmos matadouros utilizados pela produção industrial.

No abate, há relatos de falhas de insensibilização, o que significa que alguns animais podem permanecer conscientes durante etapas subsequentes. Em aves, por exemplo, a escaldagem pode ocorrer antes da perda completa da sensibilidade; em bovinos, há registros de consciência residual durante o processamento.

Esses fatos evidenciam que rótulos não garantem bem-estar. Independentemente do sistema, a exploração animal envolve procedimentos invasivos, privação e um destino final comum. Informar-se além da embalagem é essencial para escolhas verdadeiramente conscientes.

ORGÂNICOS SÃO REALMENTE MAIS SAUDÁVEIS?

O United States Department of Agriculture (USDA) não afirma que alimentos de origem animal produzidos de forma orgânica sejam mais seguros ou mais nutritivos do que aqueles produzidos de maneira convencional. A certificação orgânica está relacionada principalmente a métodos de produção, e não a benefícios comprovados à saúde humana.

Ovos, leite e carnes rotulados como “orgânicos”, “naturais” ou “sem gaiola” contêm gordura saturada e colesterol em níveis semelhantes aos dos produtos convencionais. Evidências científicas associam o consumo frequente de alimentos derivados de animais ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, além de certos tipos de câncer e outros problemas de saúde crônicos.

Do ponto de vista sanitário, animais criados em sistemas orgânicos ou “free-range” não estão livres de aglomeração, muitas vezes vivendo em contato com seus próprios excrementos. Ao final, são abatidos nos mesmos matadouros utilizados pela produção industrial.

Além disso, em sistemas orgânicos, animais que recebem antibióticos perdem a certificação, o que pode atrasar ou restringir tratamentos. Esse fator pode aumentar o risco de contaminação por bactérias e outros patógenos na carne, quando comparado a produtos convencionais submetidos a controle medicamentoso regular.

Esses pontos demonstram que o rótulo orgânico não garante benefícios à saúde nem elimina riscos sanitários, especialmente quando se trata de produtos de origem animal. Informar-se além das embalagens é essencial para escolhas conscientes.

ALTERNATIVAS

Da galinha rotulada como “livre”, que tem contato com o ar externo apenas no trajeto até o matadouro, à vaca submetida a um suposto tratamento “humanitário”, cujo bezerro macho é separado e vendido para a indústria de vitela, todos os animais criados para alimentação passam por algum grau de sofrimento.

As únicas escolhas verdadeiramente coerentes com o respeito à vida animal são aquelas que não envolvem o uso de animais. Hoje, existem inúmeras alternativas veganas à carne, aos ovos e aos laticínios, que permitem uma alimentação completa, saborosa e alinhada à ética e à sustentabilidade.

Receitas veganas estão amplamente disponíveis na internet — e também aqui em nosso site — facilitando a adaptação de pratos tradicionais e a descoberta de novos sabores.

Adotar uma alimentação saudável e totalmente livre de crueldade é mais simples do que parece. Com informação, curiosidade e pequenas mudanças no dia a dia, é possível transformar hábitos e fazer escolhas que beneficiam os animais, o meio ambiente e a sua saúde.

FONTE: PETA®