CONSEQUÊNCIAS DEVASTADORAS
De acordo com o biólogo Sérgio Greif, autor das obras Alternativas ao uso de animais vivos na educação e A verdadeira face da experimentação animal — esta última em coautoria com Thales Tréz — o avanço científico nas últimas décadas ocorreu, em grande parte, pela adoção de métodos alternativos à experimentação animal.
Segundo o autor, testes em animais frequentemente produzem respostas fisiológicas diferentes das observadas em seres humanos, o que pode comprometer a segurança, atrasar descobertas e até causar danos à saúde pública. Essa limitação metodológica levanta questionamentos sobre a confiabilidade científica e ética da vivissecção.
Há registros históricos de medicamentos que foram testados e aprovados em animais, mas posteriormente retirados do mercado após causarem efeitos graves em humanos, incluindo cegueira, paralisia e morte. Casos como Clioquinol, Eraldin, Opren e Zomax são frequentemente citados em análises críticas da experimentação animal.
Um dos exemplos mais conhecidos ocorreu na década de 1960, com a talidomida. O medicamento foi testado em diferentes espécies animais e considerado seguro, sendo amplamente prescrito a gestantes para o controle de náuseas. Posteriormente, seus efeitos revelaram-se devastadores, resultando em malformações congênitas graves em milhares de crianças ao redor do mundo.
Esses episódios evidenciam que a vivissecção não apenas causa sofrimento animal, mas também pode falhar em proteger vidas humanas, reforçando a necessidade de investir em métodos científicos modernos, éticos e mais confiáveis, como culturas celulares humanas, modelagem computacional, órgãos-em-chip e outras tecnologias já disponíveis.
VOCÊ PODE MUDAR ISSO!
A União Europeia aprovou, em 2009, uma legislação que proíbe testes de cosméticos em animais. Países como Índia, Nova Zelândia, Israel e Noruega também adotaram medidas semelhantes. Essas decisões refletem uma mudança clara no comportamento dos consumidores, que exigem produtos éticos, seguros e livres de crueldade.
Você pode fazer parte dessa transformação em qualquer país. A maneira mais eficaz é comprar apenas produtos não testados em animais, verificando na embalagem a indicação “não testado em animais” ou a presença de selos confiáveis de certificação vegana, como o da The Vegan Society ou o Certificado Vegano.
Aqui em nosso site, você pode conferir uma seleção de produtos certificados, que comprovadamente não passaram por testes em animais. Prestigiar essas marcas é uma forma direta de estimular práticas éticas e contribuir para a construção de um mundo melhor.
Não compre, em hipótese alguma, produtos testados em animais.
EMPRESAS ASSOCIADAS A TESTES EM ANIMAIS
(lista amplamente divulgada por organizações de proteção animal)
- Bic
- Cândida / Q’Boa
- Clorox
- Colgate-Palmolive
- Elizabeth Arden
- Estée Lauder
- GlaxoSmithKline
- Johnson & Johnson
- L’Occitane
- L’Oréal
- Mary Kay
- Maybelline
- Pfizer
- Procter & Gamble
- Reckitt Benckiser
- Bausch + Lomb (ReNu)
- Schering-Plough
- Unilever
Listas de referência são amplamente divulgadas por organizações como a People for the Ethical Treatment of Animals (PETA).
Recomenda-se verificar atualizações periódicas e optar sempre por marcas certificadas.
Cada compra é um voto. Ao escolher produtos livres de testes em animais, você reduz o sofrimento, incentiva a inovação ética e acelera mudanças reais no mercado.
TESTES PROIBIDOS NO BRASIL
O estado de São Paulo foi o primeiro do país a proibir testes em animais para a indústria de cosméticos.
A Lei nº 15.316/2014, de autoria do deputado estadual Feliciano Filho, veda o uso de animais no desenvolvimento e na fabricação de cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal em todo o território paulista.
A legislação estabelece sanções rigorosas para o descumprimento:
Multa por animal utilizado, aplicada à instituição e ao estabelecimento de pesquisa;
Dobro do valor da multa em caso de reincidência;
Suspensão temporária do alvará de funcionamento;
Suspensão definitiva do alvará em caso de nova reincidência.
Essa lei representa um marco importante na proteção animal e na modernização regulatória, incentivando o uso de métodos alternativos, éticos e cientificamente avançados, além de alinhar o estado às tendências internacionais de consumo consciente e inovação sem crueldade.
ATENÇÃO ALUNO:
Você não é obrigado a participar de aulas que utilizem experimentação animal. A objeção de consciência é um direito legítimo e pode ser exercido quando práticas educacionais entram em conflito com convicções éticas, morais ou filosóficas.
Existem alternativas pedagógicas eficazes, modernas e amplamente utilizadas no Brasil e no exterior. Uma importante rede internacional de apoio é a Interniche, que promove a troca de informações sobre métodos alternativos ao uso de animais no ensino, conectando estudantes, professores e instituições do mundo todo.
Um precedente histórico no Brasil
Em 2007, Róber Bachinski, então estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ingressou com ação judicial contra a universidade por inconstitucionalidade. Ele obteve uma liminar que garantiu seu direito de não participar de aulas com dissecação de animais — um caso inédito no país.
Essa decisão tornou-se um precedente importante. Desde então, inúmeros estudantes passaram a procurar Bachinski em busca de orientação sobre como exercer a objeção de consciência. Segundo ele, a maioria dos casos é resolvida de forma administrativa, sem necessidade de confronto judicial, quando há diálogo e informação.
Educação científica sem sofrimento animal
Para o pesquisador, parte da resistência à mudança decorre do fato de que a educação científica passa por uma transformação profunda. Métodos tradicionais estão sendo substituídos por abordagens mais éticas, precisas e alinhadas com a ciência contemporânea, o que exige adaptação.
“Definitivamente, o uso danoso de animais pode ser banido da sala de aula.”
Essa mudança já é realidade em diversas instituições brasileiras e internacionais, incluindo:
- a Faculdade de Medicina da UFRGS
- a Faculdade de Medicina Veterinária da USP
- outras universidades no Brasil e no exterior
Atualmente, não há justificativa pedagógica para matar animais ou utilizá-los como cobaias em aulas práticas. Existem:
- simuladores gratuitos e interativos, desenvolvidos no exterior e também no Brasil (em português);
- softwares educacionais altamente realistas;
- técnicas éticas de ensino com cadáveres obtidos de forma responsável (por exemplo, animais que morreram naturalmente ou em hospitais veterinários), para aprendizado de procedimentos básicos.
Essas alternativas preservam a qualidade do ensino, reduzem custos, evitam sofrimento animal e respeitam os direitos dos estudantes.
Róber Bachinski
ANIMAIS NO ESPAÇO
Além dos testes laboratoriais, animais também foram utilizados em experimentos tecnológicos, incluindo missões espaciais, especialmente durante as primeiras décadas da corrida espacial. Esses programas buscavam compreender os efeitos do voo e da microgravidade em organismos vivos, em um contexto de tecnologia ainda incipiente.
Em novembro de 1957, a cadela Laika foi enviada ao espaço pela União Soviética a bordo do Sputnik 2. A missão não previa retorno, e Laika morreu poucas horas após o lançamento, em decorrência de falhas no controle térmico da cápsula.
Antes disso, os Estados Unidos lançaram o macaco Albert I. A missão atingiu cerca de 63 km de altitude, mas o animal morreu minutos depois devido à falha da cápsula, que explodiu durante o voo.
Em 1963, a França enviou a gata Félicette para uma missão orbital suborbital, com eletrodos implantados para monitoramento neurológico. Félicette retornou viva, porém informações oficiais sobre seu destino posterior não foram divulgadas, levantando questionamentos éticos sobre os procedimentos realizados após o voo. No mesmo ano, a França lançou outro gato, que não sobreviveu à missão.
Desde então, Estados Unidos, Rússia, países da União Europeia, China, Japão, Índia, Coreia do Norte, entre outros, continuam a desenvolver programas espaciais. Com o avanço significativo do conhecimento científico e das tecnologias de simulação, cresce o debate ético sobre a necessidade de utilizar animais em experimentos desse tipo.
Há registros de países que, mesmo recentemente, consideraram ou anunciaram o uso de animais em lançamentos experimentais, o que reacende a discussão sobre alternativas modernas, como modelagem computacional, manequins instrumentados, simulações avançadas e testes in vitro, hoje amplamente disponíveis.
A história dos animais no espaço evidencia a importância de avaliar criticamente práticas do passado e de priorizar métodos científicos éticos, capazes de avançar o conhecimento sem impor sofrimento a seres sencientes.
“Experimentação Animal não faz sentido. A prevenção de doenças e o lançamento de terapias eficazes para seres humanos está na ciência que tem como base os seres humanos.”
Nina Rosa
SAIBA MAIS
- Livro Vozes do Silêncio – João Epifânio Regis Lima
- Alternativas ao uso de animais vivos na educação – Sérgio Greif
- Não matarás – vídeo do Instituto Nina Rosa
FONTES
- Alternativas ao uso de animais vivos na educação – Sérgio Greif
- PETA
- Instituto Nina Rosa
- Governo de São Paulo
- Revista Mundo Estranho
- Portal Terra