Associação Brasileira de Veganismo

O que é Veganismo?

POR ONDE COMEÇAR?

O veganismo é um modo de vida que se baseia no princípio de que os seres humanos não devem explorar outros animais, promovendo escolhas mais éticas que beneficiam as pessoas, os animais e o meio ambiente.

Na prática, o estilo de vida vegano exclui o uso de qualquer produto de origem animal, direta ou indiretamente, em diferentes áreas do cotidiano:

  • Alimentação: não consumir carnes de qualquer tipo, nem alimentos de origem animal ou que contenham derivados, como leite, queijos, manteiga, ovos, mel, gelatina, banha, albumina, corante de cochonilha, entre outros.

  • Vestuário: não utilizar roupas, calçados ou acessórios produzidos com partes de animais, como couro, lã, seda ou peles.

  • Cosméticos e medicamentos: evitar produtos testados em animais ou que contenham ingredientes de origem animal em sua formulação, como glicerina animal, cera de abelha ou tutano bovino.

  • Entretenimento: não apoiar atividades que envolvam exploração animal, como rodeios, circos com animais, rinhas e práticas semelhantes.

  • Atuação profissional: não exercer atividades que envolvam exploração animal, seja com animais vivos ou mortos, como comércio de animais, produtos derivados de animais ou serviços que utilizem animais como recurso.

O vegano leva uma vida comum, fazendo escolhas conscientes que consideram o impacto de cada ação sobre os animais. Essas escolhas são guiadas pelo respeito à vida animal, sem imposições, mas com responsabilidade ética.

Pronúncia: a palavra vegan tem origem inglesa e pronuncia-se “vígan”. Em português, utiliza-se vegano ou vegana.

“Veganismo é uma filosofia e estilo de vida que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade contra animais na alimentação, vestuário e qualquer outra finalidade e, por extensão, que promova o desenvolvimento e uso de alternativas livres de origem animal para benefício de humanos, animais e meio ambiente.”

Livre tradução de “The Vegan Society”,
grupo que criou o termo “Veganismo” em 1944 no Reino Unido.

INDÚSTRIA DA MORTE

Por que consumir ovos e laticínios também implica exploração animal?

Optar por não consumir carne, mas continuar consumindo derivados como leite, queijos e ovos, não elimina a exploração animal. Isso porque esses produtos também estão diretamente ligados à indústria pecuária, que submete os animais a ciclos contínuos de sofrimento e morte.

Na produção de leite, por exemplo, a vaca é inseminada artificialmente repetidas vezes, já que só produz leite após dar à luz. Seus filhotes são separados logo após o nascimento — os machos, em geral, são abatidos ainda jovens para a produção de vitela. Após anos de exploração intensa, quando sua produção leiteira diminui, a vaca também é enviada ao abate.

O mesmo ocorre com as galinhas poedeiras, que vivem confinadas, muitas vezes em gaiolas, com mobilidade limitada. Quando deixam de produzir ovos em quantidade considerada economicamente viável, são igualmente destinadas ao abatedouro.

Esses sistemas tornam evidente que a exploração não se limita ao momento do abate. Especialmente no caso das fêmeas, o sofrimento é prolongado ao longo de toda a vida, marcado por controle reprodutivo, confinamento e exaustão física, culminando invariavelmente na morte.

Por isso, o veganismo propõe uma reflexão mais ampla: respeitar os animais significa não utilizar seus corpos, sua força reprodutiva ou seus produtos, reconhecendo que a exploração começa muito antes do fim da vida.

Quando se trata de produção industrial, todas as decisões são orientadas por um único objetivo: o lucro. Nesse contexto, os animais deixam de ser vistos como seres sencientes e passam a ser tratados como unidades de produção, semelhantes a máquinas, nas quais a interrupção do processo não é aceita.

Para manter a produção em ritmo acelerado, são utilizados hormônios para estimular o crescimento e antibióticos de forma recorrente, muitas vezes para conter doenças geradas pelo próprio sistema de confinamento intenso, superlotação e estresse extremo. Trata-se de um ambiente artificial e hostil, no qual os animais vivem em condições incompatíveis com seu bem-estar natural.

Essas substâncias não desaparecem no processo. Elas fazem parte dos produtos finais consumidos, seja na forma de carne, seja em subprodutos derivados de secreções corporais de animais explorados.

Do ponto de vista conceitual, é importante lembrar o significado do termo:

Cadáver: corpo humano ou animal após a morte.
Dicionário Michaelis

O veganismo propõe justamente a ruptura com esse modelo, ao questionar não apenas o consumo, mas toda a estrutura que transforma vidas em mercadorias e corpos em produtos.

POR QUE O VEGANISMO EXISTE?

O veganismo surgiu como resposta direta à exploração sistemática dos animais nas indústrias. Seu propósito é questionar e transformar um modelo de produção que trata vidas como recursos e ignora o sofrimento animal em nome do lucro.

Infelizmente, essa realidade não pertence apenas ao passado. Em todos os países do mundo, animais continuam sendo explorados em diferentes setores — alimentação, vestuário, entretenimento, pesquisa e comércio — muitas vezes sem qualquer consciência ética e, em inúmeros casos, em desrespeito até mesmo às poucas leis existentes para protegê-los.

O resultado é um sistema globalizado que normaliza o sofrimento animal em larga escala, tornando invisíveis práticas que causam dor, confinamento, privação e morte.

O veganismo propõe uma ruptura com esse modelo, convidando à reflexão e à adoção de escolhas mais responsáveis, baseadas no respeito à vida animal e na ética do consumo consciente.

Clique nas imagens a seguir para saber mais sobre cada forma de exploração:

É FÁCIL SER VEGAN!

A adaptação à alimentação vegana pode levar algum tempo. Explorar novos alimentos, aprender substituições e criar uma nova rotina faz parte do processo. Não desista. Essa fase é natural e passageira.

Felizmente, hoje o mercado oferece uma grande variedade de opções veganas prontas, que facilitam muito o dia a dia. É possível encontrar pratos congelados ou enlatados, hambúrgueres, salsichas, linguiças, almôndegas, margarinas, queijos vegetais, patês, maioneses e diversos salgadinhos industrializados.

As opções de sobremesas também são abundantes e saborosas: chocolates, sorvetes, chantilis, creme de leite de soja, leites vegetais fortificados, doce de leite, iogurtes e biscoitos veganos. Há alternativas para todos os gostos — você escolhe.

Com as substituições corretas, é possível continuar desfrutando de suas refeições favoritas. Receitas tradicionais de família podem ser facilmente adaptadas com ingredientes como proteína de soja e glúten, preparados em casa ou adquiridos prontos.

Aproveite para explorar sites de receitas veganas, experimentar novos sabores, conhecer pessoas com interesses semelhantes e ampliar seus horizontes. O veganismo também é uma jornada de descobertas.

É FÁCIL SER VEGAN!

Pode levar algum tempo para se acostumar com as mudanças da dieta vegan, explorar novos alimentos e desenvolver sua rotina. Não desista!

Felizmente, hoje em dia há abundância de opções veganas prontas no mercado: pratos prontos congelados ou enlatados, hambúrgueres, salsichas, linguiças, almôndegas, margarinas, queijos, patês, maioneses, salgadinhos de pacote…

Irresistíveis sobremesas como chocolates, sorvetes, chantilis, creme de leite de soja, várias marcas de leite vegetal fortificado, doce de leite, iogurtes, biscoitos… você escolhe!

Com as substituições adequadas, você descobre que ainda pode desfrutar de suas refeições favoritas: adaptar receitas de família torna-se fácil com a proteína de soja e o glúten, feitos em casa ou comprados prontos. Explore sites de receitas veganas na internet, aproveite para fazer novas amizades e abrir seus horizontes.

LIBERTANDO-SE DO CÍRCULO VICIOSO

Nada disso é inevitável. Se você não quiser, não precisa fazer parte desse sistema. Vale refletir: que sentido há em sustentar práticas que causam sofrimento apenas porque não vemos o que acontece antes de o alimento chegar ao prato?

Ambientes de exploração animal são marcados por violência estrutural e dessensibilização. Pessoas que trabalham nesses locais frequentemente enfrentam impactos psicológicos profundos. Da mesma forma, consumidores acabam sendo dessensibilizados pela distância do processo e pela propaganda da indústria da carne, reforçada por uma cultura que normaliza o consumo de animais como algo positivo ou necessário.

A realidade é simples: a carne não é benéfica nem para os animais, nem para as pessoas.

A mudança no mundo depende das escolhas individuais. Quando não há demanda, não há oferta. Cada decisão de consumo é um posicionamento ético.

VEGANISMO: CAMINHO PARA UM MUNDO MELHOR!

Existem muitas formas de contribuir para um mundo mais justo e compassivo — e o veganismo é uma delas. Mais do que uma escolha pontual, ele permite agir várias vezes ao dia, por meio da alimentação, do vestuário e do consumo consciente.

Não se trata de perfeição, nem de se colocar acima de outras pessoas. Trata-se de fazer o melhor possível dentro das próprias possibilidades, alinhando atitudes aos valores de respeito e responsabilidade.

O boicote a indústrias e comércios que exploram o sofrimento animal é uma escolha ética, inteligente e transformadora. Para os animais, não importam discursos ou intenções — importam apenas as ações que tomamos.

HERÓIS DOS ANIMAIS

Em todo o mundo, pessoas de todas as idades, profissões e realidades sociais dedicam tempo, energia e recursos para resgatar, proteger e defender animais vítimas de abandono, maus-tratos e exploração.

Essas pessoas atuam de diferentes formas — em resgates, abrigos, projetos educativos, campanhas de conscientização e ações diretas — mas todas têm algo em comum: o compromisso com a vida animal.

Inspire-se em suas histórias ou contribua para que esse trabalho continue acontecendo. Apoiar quem protege os animais é também uma forma de salvar vidas.

Conheça alguns de nossos heróis: